Silêncio

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Descobri que gostava muito do barulho que você fazia dentro de mim.

Das sensações que me causava, das emoções que eu vivia.

Eu amava aquele frio na barriga que sentia toda vez que te via. Adorava aquele arrepio que dava na minha pele sempre que sentia o seu toque suave. Aquele suspiro gostoso que me causava toda vez que ouvia sua voz coladinha no meu ouvido. O gosto dos nossos beijos, o calor dos nossos abraços. A sintonia que nossos corpos tinham juntos.

O som de uma nova notificação sua em meu celular sempre mudou o rumo das minhas manhãs chatas, ou das tardes monótonas, ou das noites sem você. Sua presença fazia barulho na minha vida. Coloria. Animava. Deixava meu coração quentinho e em paz.

Mas, de repente, o som se calou. A tranquilidade que antes eu queria, confesso, chegou. Não existia mais aquele barulhinho reconfortante, tudo sumiu, tudo acabou, tudo evaporou como num passe de mágica… E foi aí que descobri que aquela paz que tinha desejado por tanto tempo, não era necessária, não era o que eu realmente queria. Porque o barulho que você fazia dentro de mim preencheu todos os vazios que antes eram só caos.

Eu descobri que odeio o silêncio. Ainda mais o silêncio que você deixou depois que se calou. Agora o som da minha voz faz eco dentro de mim. E por mais que eu tente me distrair e tirar você da cabeça, nada apaga as marcas que você deixou na minha vida. Que você deixou em mim.

Cadê sua voz? Cadê sua risada? Onde foi parar seu sorriso? Por que você levou tudo? Por que me deixou para trás? Prometo que arrumo minhas coisas rapidinho e vou com você. Qualquer coisa que faça esse silêncio ir embora…

Fala! Grita! Explode! Faz barulho! Faz qualquer coisa, mas fica na minha vida.




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