TRÊS NOITES E UM OBRIGADA

15:30

​“Now I'm out here looking like revenge feelin like a 10, the best I ever been and yeah, I know how bad it must hurt to see me like this…”

Três noites. Exatas três noites consecutivas que você resolveu passear pelos meus sonhos. Destruiu minha noite tranquila, meu mundo de fantasias. A realidade foi pouco para você? Eu fiquei preocupada, aliás, desesperada, com medo destes malditos sonhos serem resultantes do meu inconsciente, implorando para o seu retorno, mesmo com os pesares e apesares. Eis que percebi que todos os sonhos tinham algo em comum; uma névoa de medo, uma angústia. Eu só queria fugir para o mais longe de você. Assim como eu fiz na vida real. A vida imita a arte, os sonhos reproduzem a vida.
 Transcorreu-se exatamente assim, eu tentava te afastar com palavras duras e gestos indelineáveis, quando eles se esgotavam eu tentei me afastar. Primeiro me afastei dos meus amigos, familiares e depois; abandonei minha vontade de viver, até esqueci como fazia para ser feliz. Eu tinha vontade de sumir, quem sabe se eu fugisse eu conseguiria desaparecer, eu supria vazios com atitudes descontroladas, em pouco tempo a imagem do espelho tornou-se desconfigurada e irreconhecível para mim mesma. Eu tentei acabar comigo mesma, para não dar esse prazer para você, o prazer de acabar com aquela menina sorridente que você conheceu. Eu tive sorte e consegui acabar com aquilo que chamávamos de relacionamento. Consegui por um fim em nós para não chegar ao meu fim.


 Repara como tu desgraçou a minha vida em tão pouco tempo, ninguém nunca tinha mexido comigo desta forma, e olha que a minha infância teve mais vilões do que qualquer conto de fadas da Disney. Quando paramos de fazer parte da vida um do outro, e de ocupar a cabeça, com planejamentos para o futuro e as ligações de boa noite. Você foi em busca de outros corpos, pessoas que tinham na essência tudo aquilo que você sempre criticou e julgou. As pessoas tem a liberdade para mudar de gostos, e de vontades, mas eu me pergunto até que ponto tudo o que vivemos foi algo planejado, até que ponto eu conheci em você só o que você permitia que eu conhecesse, e assim fiz de você meu sonho bom, quando na verdade, você é aquela podridão que apareceu no final do nosso relacionamento. 
Como se não bastasse você ter me matado pouco a pouco, todos os dias com a  sua convivência, ter causado machucados, que vez ou outra abrem e ardem,  você insiste em jogar sal na ferida. E agora? Qual a novidade? Quer contar as boas novas? Jurar o mesmo amor eterno que me prometeu um dia? Você grita com ela como fez comigo? Será que você mudou tanto, e está feliz ao ponto de fazer alguém feliz? Será que estou assistindo mais um teatro, como a gente interpretava para os outros? Será que a culpa era minha, e eu despertava a pior versão de mim mesma? Ou será que você ainda não deu à ela a oportunidade de te conhecer melhor?
Você se foi, deixou marcas que eu esqueço, mas vez ou outra eu acabo olhando para trás, não com saudade, não com raiva, mas como agradecimento, por ter vivido aquilo com você, para poder agradecer tudo que eu tenho hoje, e a pessoa que me tornei.




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