“QUEM PLANTA TÂMARAS, NÃO COLHE TÂMARAS"

14:30


“And it might not make much sense to you or any of my friends. Though somehow still you affect the things I do. And you can’t lose what you never had I don’t understand why I feel sad every time I see you out with someone new…”

Eu esperei, aceitei, ensinei e respeitei o seu tempo. Reconheci seu coração machucado, estava disposta a curar ele, estava disposta a te salvar do abismo de esmorecimentos, mas você não queria ser salvo. Eu dei o seu tempo, eu entendi que não estava preparado para relacionamentos, eu entendi que exigiria cuidados e as palavras deveriam ser ditas com prudência, os sentimentos não poderiam ser precipitados, mas eu sentia. Eu sempre sinto demasiadamente, meias palavras ou sentimentos vazios nunca se adequaram a mim. Bem como você, nunca me pertenceu.
Eu fui à pessoa certa no seu momento errado, você foi a minha pessoa errada no momento certo. Cômico, até mesmo nisso somos opostos. Nossas expectativas não possuíam diafaneidade, você estava preparado para um café da manhã juntos, e eu moldava minha vida para suas vontades. Eu era o encontro depois da sua aula, você era a minha falta justificada. Eu era a opção depois das outras, você era meu motivo para largar tudo. Eu dispensava todos os caras da festa para ficar com você, mas você embora estivesse de mãos entrelaçadas comigo, com um braço ao redor da minha cintura, prestava atenção minuciosamente pelos rostos da festa, em uma tentativa vã de encontrar alguma opção melhor que eu, para no fim me apertar contra seu corpo, sabendo que pelo menos por aquele dia eu seria sua melhor opção, mas eu nunca fui a única.  A gente saia, apoiando-se um no outro, em sentidos ambíguos da palavra, fugíamos da multidão que por sua vez, forçava sorrisos motivados por doses etílicas, eu entendia meias palavras como declarações inteiras. Possuímos essa mania meio tola de entender as coisas como bem querer, ou só ver o que nos apetece.
Eu acreditei que seria seu último amor eterno, eu achei que você estava pronto, porquê algumas vezes parecia que eu me preparei a vida inteira para ter você, aliás para pertencer a você. Eu tinha que crer: você era o motivo para nunca ter dado certo antes. Eu chegava a agradecer por não ter dado certo com ninguém antes de você, eu agradecia por todas as dores sentidas antes, e erros cometidos, para acertar os detalhes com você. Não é como se nossa história tivesse chegado ao fim, porquê ela nem chegou a sair do prólogo. Houve uma resenha, trailer bem elaborado, expectativas da plateia, mas os atores principais não souberam aceitar as críticas do público.
Eu entendo que a vida tem dessas coisas, algumas pessoas são a caminhada, não o destino final. Ajudam na evolução espiritual, semeiam amor, mas não estarão lá quando a hora de colher os frutos chegar. Enfrentei o inverno com você, seu coração gelado. Contribui para sua escalada, mas não sou seu destino final. Assim como algumas pessoas foram usadas como apoio para hoje, você ter a melhor versão de mim (e mesmo assim desdenhar), eu fui a sua escadaria, você pisou em mim, para chegar aonde você queria, talvez não de forma consciente.


Eu já não peço mais para ficarmos juntos, até mesmo porque amor não se implora. Eu apenas agradeço pela sua passagem na minha vida, agradeço por não termos dado certo, por não termos dado em nada. Vejo com clareza suas falhas, e por mais errôneas que minhas atitudes se pareçam, não foram elas que motivaram seus desmazelos. Hoje eu só peço que nossos caminhos se esbarrem cada vez menos, que a sua próxima conquista esteja preparada para viver sem expectativas, ou que você tenha aprendido alguma coisa, e eu tenha te ajudado a avançar um degrau na evolução desta vida. Fica o aprendizado de deixar claro minhas expectativas, e de aceitar ser o caminho não o destino de algumas pessoas, no mais houve bons momentos, e as inspirações... Só tenho a agradecer.





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