AMOR DE ELEVADOR

14:30



Já vivi o amor de elevador.
O amor de função fática.
O amor em que o silêncio não conforta.
O “eu te amo” com valor de “acho
que vai chover hoje”.
Aquele amor difícil
em que você pensa num assunto para puxar
calculando o tempo do térreo até o andar de destino –
o amor sobe, responde, e desaparece.
Dia seguinte, terá que suar a camisa de novo.

Mas tenho pensado no amor que serena.
Acho que ele dura, de verdade.
Só é preciso aceitá-lo.
Terá que se bastar, antes de tudo.
Terá que aguentar silêncios e elevadores aos montes.
Terá que, muitas vezes, subir de escada.
Até que, um dia, outro alguém chutará a previsão:
“acho que chove hoje, ein”.




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