UM DESABE QUALQUER

13:06


 Não aguentei! Juro que tentei ser forte, mas algumas palavras cortam mais do que faca. Tranquei-me no banheiro, liguei o chuveiro e chorei encostada na parede. Chorei até que a água levasse a última lágrima que restava em mim.
     Lavei os olhos, apesar de ser tão previsível quanto areia no deserto que voltaria a chorar – patético –, não permitia me mostrar. Só veriam meu lado falha e insensível. Eu bem que queria que soubessem... Eles acham que sabem tudo do que não fazem ideia.
     Retomei o fôlego, já perdido diversas vezes, mas esconder o rosto inchado era inevitável. Então corri para o quarto, me atirei na cama e segurei o choro mais uma vez.
     Na minha mesa de cabeceira o celular se iluminou. Olhei e vi uma mensagem que ao ler pensei que sempre tem alguém que vai estar ali mesmo que a distância seja grande, para fazer brotar flor em meio as suas dores independente de saber ou não como você está. É incrível como chega na hora exata.
     Dei um sorriso compulsivo de canto de boca, em meio às lágrimas que já invadiam novamente – embora quisesse me entregar ao riso. Sorriso é um espelho do estado da alma, então vi que me restava alegria.
     Para acalmar, me permiti imaginar qualquer lugar do mundo no escuro do meu quarto. Onde eu queria estar agora? Não queria estar em lugar algum. Não queria! Imagine simplesmente deixar de existir quando as coisas ficam assim tão confusas? Voltar só depois que tudo passasse. 
     Bobagem.
     Imaginei uma praia. A minha frente estava o mar. Calmo e cristalino. Eu mal o via, pois estava deitada naquela areia tão macia quanto minha cama. Minha visão se limitava no horizonte, mas eu preferi a ideia de que tinha todo o alcance do céu. Num piscar de olhos a primeira coisa que avistei no escuro do meu teto foi uma imensa noite estrelada. Sem nuvem ou qualquer possibilidade de chuva. Há pouco passou uma tempestade.
     O silêncio é mesmo encantador. O único barulho era o das ondas, que são como tranquilizantes para qualquer coração. Eu estava ali. Mesmo que de uma maneira irreal. Deduzi que era possível ir para onde quisesse.
     Sentei-me e abri os olhos. 
     Vi-me na escuridão. Precisei de tempo para acender as luzes e aceitar que as pessoas julgam o tempo todo. Talvez se não tivesse lido tantos livros do John Green eu não fosse tão dramática e aceitaria que as pessoas desabam sem previsão em uma imensidão de emoções que confundem até elas mesmas [...]






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