EU TÔ INDO, MAS PRA ONDE?

20:04

    Quando eu abri os olhos, já estava com as botas cheias de lama. Não te contei que ia colocar o pé na estrada. Não contei para ninguém. Mas nem eu sabia que ia realmente me jogar no mundo quando fui dormir.
     Eu apenas acordei, vesti roupas confortáveis, enfiei um monte de coisas numa mochila velha e saí de casa. Não olhei que dia era no calendário, não verifiquei as mensagens perdidas do meu celular e nem chequei se havia mesmo água suficiente na garrafinha de plástico, apenas fui.
     Não foi uma fuga, foi apenas uma mente cansada de viajar dentro de si. Um coração aflito e partido querendo um pouquinho de liberdade. Um pulmão cansado querendo ar fresco e um par de olhos que queriam cores diferentes. 

    Cansei das roupas bem passadas, do café bem servido pela manhã - que sempre me enjoava. Cansei do mesmo papo furado daqueles que tanto dizem saber do que é certo, sem nunca terem nem visto o errado. Cansei das minhas botas embaixo do armário que não eram usadas.
     Só fui. Fui ver se o céu é mais bonito do outro lado da montanha, se as estrelas brilham mais em uma ilha deserta. Se as músicas tocam mais alto sem o vazio no peito. Fui ouvir vozes, gargalhadas, histórias. Fui viver coisas novas sem medo de ter deixado algo pra trás.
      Nem olhei pra trás. Nem olhei pras placas. Só andei, andei e andei. Talvez eu veja rosas pelo caminho e pegue uma para você. Não sei. Talvez eu compre um cartão postal com o farol estampado na capa. Talvez eu me sente na beira do mar e aproveite o som das ondas se quebrando e apenas exista.
     Não fiz planos, apenas os ignorei. Ignorei a vida planejada em letras garrafais que me impedia de pertencer à mim. Fui me curtir, me achar, me amar.
    Talvez os pássaros azuis que me perseguem me levem de volta para casa um dia. Quem sabe. Mas por enquanto, estou amando me sujar de lama. Não estou sentindo falta do chuveiro quentinho aqui nessa cachoeira cristalina.
   Descobri que lar é onde eu estou. E onde eu estou? No lugar certo. Não importa para onde eu vou, e se voltarei a esbarrar com você um dia. Eu confio muito bem nos meus pés para me levarem além.
   Então, até o infinito.

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