VIVENDO SEM COR

15:44

    Ultimamente tenho visto a vida meio em preto e branco. Há quem diga que a escolha de cores é somente minha, e quem sou eu pra discordar? Me perco dentro da minha própria confusão. Procuro um caminho, mas ele me foge. 
   Ou sou eu quem fujo. 
  Há quem diga que eu tenho é medo do amontoado de cores que eu poderia ver, medo das possibilidades infinitas e das escolhas que precisariam ser tomadas. Novamente, não discordo. Talvez eu tenha mesmo, vai saber.
   Ter medo é mais fácil, acho eu. 

  Enfrentar a barreira que me libera da zona de conforto que eu contruí me deixa vulnerável e quem é que gosta de se sentir sem poder sobre si mesma?
    Ficar no preto e no branco também me dá medo sim, claro. Sentir que vejo as coisas limitadas em uma caixa escura é bem assustador. 

    Me encolho de medo, mas não morro mais.
   Existem medos que nós apenas nos acostumamos a cultivar e foi exatamente o que eu fiz, virei a cara e resolvi que ir lá fora é muito mais perigoso se eu não resolver o que tem aqui dentro primeiro.
  No dia em que eu resolver abrir a caixa e me deparar com um amarelo brilhante ou um azul piscina, sei que vou desenvolver novos medos que também precisarão ser enfrentados. 

  O ponto é esse, ter medo do desconhecido te deixa paralisada, trancafiada à sete chaves em uma caixa sem cor.
  Há quem diga que quando eu for lá fora observar o rosa das flores, vou estar livre.
  Mas eu digo que não é bem assim, as correntes invisíveis sempre arranjam um jeito de voltar.
  Enquanto isso, eu permaneço aqui mesmo, tentando descobrir a real chave que abre o cadeado. Não acredito que adiante ver o mundo colorido e ter medo de me aventurar nele depois. 

   Portanto, eu permaneço preto e branco até explodir a caixa.

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