QUE DIA É HOJE?

23:14


   Hoje eu acordei com a cabeça pesada, os ombros caídos, olheiras embaixo dos olhos, e um aperto no peito que me dizia que era “o dia”.
    Pois é, deveria ter percebido pela contagem, virada do mês, pelas mensagens de solidariedade que eu recebi, mas não.. só notei mesmo quando me olhei no espelho pela manhã e me senti gelada. Tive que me obrigar a respirar fundo durante alguns minutos para conseguir concluir qualquer raciocínio lógico outra vez.
   É que é difícil mesmo quando você nota que faz algum tempo, bem longo, por sinal, que você está longe de alguém que achou que não viveria sem. Você observa seu reflexo, sua pele, sua boca, seus cabelos. Tá tudo ali, mas ainda está faltando uma parte de você. Você nota que existia um mundo em que aquele alguém ainda respirava o mesmo oxigênio que você respira e que esse mundo não existe mais.    
O mundo em que você vive hoje não tem mais aquele alguém que te fez sorrir, que te aconchegou, que te criou. 

Que mundo é esse?
  Não, eu não sobreviveria em um mundo sem ele, eu certamente fui transferida para outro. Sou outra pessoa, sem uma parte, porém com algo novo. Meu cabelo está mais claro? Será que aquele batom na estante é aquele de sabor cereja? Com certeza eu mudei a forma de sorrir, ou talvez tenha sido a forma de chorar de saudade nesse último ano.

    Será que foi a blusa nova que eu comprei ontem? Ou não, deve ter sido aquele tombo que eu levei semana passada. Não, foi o tombo que eu tomei quando percebi que você não fazia mais parte do mesmo plano que eu. Que droga. Ainda sinto seu cheiro nas roupas.
   É, malditas olheiras, acho é hora de ir para rua de chinelos e comprar um corretivo novo. 

Tchau espelho, tchau reflexo, tchau inferno astral. Tchau para esse dia que me traz tantas memórias dolorosas que me cortam ao meio.
 Ah não,  esqueci que para isso não dá para dar tchau, vou sentir sua falta para sempre. 

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