REDOMA

16:00

Se você pedisse, se voltasse atrás, talvez se sentisse minha falta, eu teria voltado. Mas no momento em que nos dei um tempo, eu já sabia que não haveria mais nós. No início, eu pensei que era orgulho nosso e me culpei por ter ido embora. Foi só depois de alguns dias que percebi que foi a sua inércia que nos separou. Eu esperei por uma mensagem, esperei uma ligação, então quando eu vi você falando, eu simplesmente não quis mais, não quis nada de você. Na verdade, eu não sentia falta de você, eu estava feliz, mais disposta, mais aberta as pessoas ao meu redor, o que não acontecia desde que passamos a estar juntos. Eu deixei que você me fechasse em uma redoma de vidro e mantivesse todo o mundo do lado de fora, e foi perfeito até que os estilhaços do outro lado começaram a nos atingir. Me senti sufocada, abafada, eu precisava sair, precisava respirar, mas de alguma forma você me acorrentava no cantinho da esperança de que podíamos nos recuperar. Mas aquela redoma já estava cheia de buracos advindos das nossas falhas, nossos medos, nossa insegurança... Eu já não conseguia suportar o peso que você jogava em mim toda vez que eu tentava sair e ver através dela, quando tudo o que você fez foi estar a maior parte do tempo lá fora. De alguma forma, em uma de suas saídas, um dia depois de dizer que o mundo pertencia a nós, você não era o mais mesmo e insistia em me culpar, foi então que, em um tiro de misericórdia, eu consegui quebrar o vidro, consegui me arrastar pra longe daquele lugar despedaçado, do que sobrou de quem fomos. Eu consegui sair a tempo, antes que os estilhaços se afundassem, sem volta, em meu peito, nos salvando do que poderia ter sido um dano permanente e irreparável. Restaram algumas cicatrizes, mas cicatrizes sempre se curam, se regeneram e deixam marcas que fazem parte da nossa história. Marcas que são como lembranças, advertências e aprendizados.
ESCRITO PARA GRAZIELLE SCHARENBERG Perfil: Mineira, 23 anos, extremamente pisciana, advogada por graduação, escritora por amor no blog Vigor Frágil e colunista nos blogs Isabela Freitas e Escritos Meus.
Redes sociais: @gravieirasc
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