LOGO EU, QUEM DIRIA.

20:47

     Logo eu que nunca soube falar sobre mim, sei falar tão bem sobre o que eu guardo aqui dentro do peito. Logo eu, que nunca soube como definir-me, sei descrever tão bem esse amor indecrifrável. Logo eu, que me perco no meio das minhas próprias linhas, não me perdi uma vez sequer quando precisei amar você. Logo eu, que deveria ter sido feita de pedra, fui feita de penas e quando precisei odiar-te, amei-te mais ainda.
     E eu amo, ó se amo. E eu amo amar-te, e amar a mim, e amar o mundo inteiro. Amo ser tão pequena, e ter tanto espaço aqui dentro para amar bilhões de pessoas. Amo amar o amor. Amor este tão benígno, tão maravilhoso, tão adorado ao redor do planeta, da galáxia, da lua, do sol e do infinito. Amor que não se cansa, não se gasta, não se acaba nem que acabe a esperança de amar-te. Amor que cuida, que abraça, que afaga e que beija tantas bocas por aí. Amor que ama, ou é amado, mesmo que não da forma esperada.
      E logo eu, que jurava dizer que alguns humanos não seriam jamais capazes de amar, acabei acreditando que todos os que possuem coração, são capazes de guardar um pedaço do amor que eu mesma guardo. E eu amo meu esconderijo, que bate cada vez mais forte quando te vê sorrir. Amo amar meu refúgio, que também esconde o amor de tantos outros lindos amores. Coração tão vermelho, tão bobo, parece até eu. Coração que sofre e se deixa enganar tantas vezes por apenas amar algum outro orgão. E logo eu, que deixei meu coração aberto diversos momentos achando que os visitantes que por ele passassem, fosse cuidá-lo com o carinho que eu cuido. Fossem amá-lo um terço do que eu amo, fossem regá-lo apenas com lágrimas de alegria. Logo eu, que acabei não sendo enganada pelo meu coração, mas deixando-o ser enganado por outros. Logo eu, que poderia fechar suas portas, concordar com quem diz que coração feliz é coração sozinho.  Logo eu, que ainda estou aqui, tentando dizer-lhe que trancar as portas não é solução. 
        E eu amo, ó se amo. E eu amo o vermelho, o amarelho, o azul, o verde, o rosa. Amo o céu, os animais e as flores. Flores estas que se parecem tanto comigo. Flores tão delicadas e apaixonadas, eternamente adoradas. Flores desastradas como um sorriso quebrado que eu sou capaz de oferecer. Logo eu, que me pareço tanto com elas, ainda me vejo procurando-as todos os dias fora de mim. Me vejo na mesma estrada que os milhões de corações sozinhos que ainda procuram por algo tão lindo com uma simples roseira para cuidar. Logo eu que juro que a procura está aqui dentro do meu próprio corpo, e que só precisa ser encontrada. Abrigo meu, das rosas, dos próximos mil amores que eu sou capaz de dar, e da cura. Abrigo do sentimento tão bom que é transformado em remédio. Cura da vida e dos males que a aprisionam. 
     E logo eu, mesmo sendo tão frágil, tão fraca, tão eu. Logo eu, posso dizer-lhe que tenho um amor que corre tão rápido nas minhas veias que me torna alguém. Posso jurar que amar é certo, mesmo que seja errado. Que desperdiçar o amor é crime, é inútil. Que posso dizer que eu precisaria de amor para sorrir, para falar, para andar. E logo eu sim, que posso ser uma que ama dentre milhões que são amados, mas que não me arrependo por um segundo sequer de amar ainda mais. E eu espero que eu, logo eu, ainda mesmo que machucada, seja capaz de amar alguém que me feche todas as feridas.


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