É PRECISO SABER A HORA DE IR EMBORA

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       Se é difícil saber a hora de deixar alguém entrar na sua vida, imagina saber quando é o momento certo de deixar alguém sair? A pior coisa de um relacionamento, seja ele qual for, é o costume. Você aprende a viver com alguém e quando precisa viver sem, tudo parece se tornar um pouquinho mais desafiador. Você começa a tentar se lembrar de como era quando aquele alguém nem existia ainda no seu convívio e você percebe que se esqueceu. Se esqueceu do que você fazia para preencher as lacunas.
    Se acostumar é muito fácil. A gente vai aprendendo os tipos de sorriso de alguém e nem sequer notamos. Aprendemos as manias bestas, os trejeitos engraçados, as piadas que serão sempre contadas. Aprendemos o que a pessoa vai pedir num restaurante e o que ela vai dizer quando você contar uma super novidade. É questão de convivência. Você aprende a notar o olhar pensativo, o olhar triste e o olhar feliz, quando os olhos sorriem mais do que o próprio sorriso escondido no canto dos lábios. Você aprende a apreciar o brilho de um outro ser humano além de você. Você pensa por dois.
     É engraçado porque você começa a se alegrar com a vitória do outro, com a felicidade do outro e aí, quando você só tem que focar em si mesmo, tudo parece um pouquinho mais sem graça. Você se pergunta como vai ser quando você quiser desabafar uma coisa que só aquele alguém saberia ouvir, ou quando você quiser aquele beijo específico e não puder ter por perto.
   Mas e aí, como faz quando você precisa esquecer as fobias daquele alguém, as alergias, as preferências e o calor do abraço que te confortou? Aí, meus caros, é foda. Saber a hora de deixar uma parte sua ir embora é doloroso, mas muitas vezes necessário. E na verdade, a gente nunca sabe, a gente só sente.
   Quando a gente sente que alguém tá indo ou até mesmo já se foi mesmo estando do seu lado, o aperto no coração começa a impossibilitar as batidas e você vê que aquilo ali não existe mais. É preciso saber a hora de recomeçar, e essa hora é exatamente quando você sente que não há mais nada que você possa fazer ou que não há mais forças para lutar.
  Eu, por exemplo, nunca sei a hora de ir embora, ou nunca admito. Eu protelo no abraço, seguro a mão por mais alguns minutos, observo a silhueta dele indo para longe de mim calmamente, porque eu sinto na pele quando acaba. E quando acaba, aí sim é hora de você gravar aquele último momento, virar as costas e aprender a se acostumar com outra coisa novamente: Com você. 

 

                                       


   E aí, como vocês sabem que é a hora de ir embora?

     Muitos beijos doces,
     Deb.

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