NÃO IDEALIZE O AMOR!

17:00


   Eu passei dezoito anos da minha vida acordando e indo dormir todos os dias esperando o momento em que eu iria me apaixonar desesperadamente. Achei que fosse acontecer no corredor da escola quando aquele cara gato do time de futebol derrubasse minhas coisas. Ou sei lá, fosse acontecer no café perto de casa, em um domingo à tarde, enquanto eu relia meu livro preferido. Ou que eu fosse esbarrar com ele no parque, pegar o celular dele por engano e me apaixonar por todas as fotos incrívelmente fofas que ele havia tirado do cachorro labrador. 
   Achei que ia ser selvagem tipo cinquenta tons de cinza, ou soft tipo amor e preconceito. Sabe aquela paixão que te tira o fôlego nesses filmes, não importa o estilo ou como acontecem? As tão comentadas borboletas no estômago, sensação de estar morrendo todas às vezes em que fala com a tal pessoa, sentimento que esgama, destrói e reconstrói? Pois bem, foi o que eu achei que sentiria, imaginei, fantasiei. 
   Devem ter sido os contos de fadas, as princesas, os príncipes, as novelas, aquela história toda de que “todo mundo encontra a sua metade da laranja”, “a tampa da sua panela”, “o amor da sua vida”. 
   Eu sonhei com o cara perfeito, com o beijo perfeito, com o encontro perfeito. Mas nunca passou pela minha cabeça sonhar ao contrário. Imperfeito em todos os mínimos detalhes, bagunça dentro e fora da minha mente, borboleta de três metros voando dentro de mim, acelerando meu coração e me deixando sem fala. 
   Nunca que eu iria colocar a cabeça no travesseiro e pensar que o meu dia de cair durinha para trás, completamente apaixonada e desesperada não seria como eu queria e que não viria num cavalo branco e de armadura. Nunca que eu imaginei que ia vir embrulhado em um monte de confusão, medos, e inseguranças, mas que ia me fazer sentir segura, feliz e amada. Nunca que eu imaginei, vestida de princesa com direito a coroa e tudo, que meu grande amor poderia não ser do tipo encatado.
   Não sei o que foi que eu fiz para ter uma surpresa dessas, mas que benção. Agradeço muito por ter vindo assim do jeitinho que veio, ser do jeitinho que é e ter me feito cutucar o meu “eu” lá dentro, só para poder me permitir viver não a grande história de amor que eu sempre sonhei, mas uma muito mais divertida. 
  Nunca que eu ensaiei que talvez eu não fosse morar em um castelo, mas fosse estar vivendo algo tão bom quanto, daqueles romances bem clichês mesmo, com direito a beijinho de boa noite na testa e tudo. 
   E é por isso que eu digo à vocês, o convencional é chato. Saber de tudo é chato. Sonhar e planejar cada detalhe da sua vida tira toda a graça da aventura que ela é. Foi sonhando demais que eu caí da cama de cara no chão e acabei descobrindo na marra que na verdade, o amor não precisa de grandes enfeites. Apenas precisa de duas pessoas que estejam dispostas a serem elas mesmas. 
    
 
      Pode até ser que você não vá se apaixonar pela pessoa certa de cara. Pode ser até que você se apaixone por ela na hora errada e vocês não terminem juntos. Pode ser também que você encontre o amor da sua vida cedo demais e descubra que é mais feliz sozinho. Não importa qual seja a sua história, ela será única. Você é o responsável por tornar cada parte memorável.
    Eu sonhei demais e acabei me deparando com um monte de fatos novos e inesperados. Nada saiu do jeito que eu planejei, mas e daí? Já perceberam que você não sente o frio na barriga quando já espera pela queda?

  Beijinhos, Deb.
   

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4 comentários

  1. Deb, adorei o seu post!! Acredito que para sermos felizes em um relacionamento, em primeiro lugar precisamos nos conhecer e nos amarmos mais do que qualquer outra pessoa...contos de fadas, podem até existir, mas com estes contos, somos presenteados ao assumirmos um relacionamento, não só com o bônus da relação, mas também com o ônus, afinal de contas somos normais, não é mesmo? E sinceramente, prefiro curtir o momento, à esperar por algo que o outro talvez seja incapaz de me dar.


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  2. Gostei muito da forma como você escreveu é rematou um pouco sobre sua história.

    Vou falar um pouco sobre a minha experiência pessoal.
    Sabe quando não estamos esperando por ninguém, que sua vida está tranquila e desprende aparece uma pessoa romantica,que te faz rir, que te dar muito carinho e que você pensa que ele é o homem da sua vida, que vc sonha é faz planos, mas com o tempo você não Sabe se ele realmente mudou ou se você nunca enchegou ele da forma que ele realmente é?
    Isso me decepcionou bastante, mas o que é pior não se continuo na ilusão acretitando em algo que não Vai acontecer,ou se você deixa passar quase 3 anos da sua vida.

    Adorei compartilhar com vocês, beijos!

    http://garotadelicada20.blogspot.com/

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  3. Oi Deb!
    Que texto fofo! Realmente, a pessoa que nos abala é aquela que não tem nada a ver conosco, ou o que imaginávamos. Mas é realmente lindo isso, e estar ciente de todos os defeitos da pessoa e mesmo assim ainda amá-la é maravilhoso <3
    beijos ♥
    nuclear--story.blogspot.com

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  4. Adorei seu post!
    Sei bem o que está falando, porque tenho um relacionamento de 15 anos com meu noivo. Conheci a pessoa da minha vida na hora errada, muito nova e cheia de trejeitos adolescentes, e por isso sofremos muito no inicio e por um longo tempo passamos por situações conturbadas.
    O bom, foi nos redescobrir, e vermos que pertenciamos mesmo um ao outro, e hoje vivemos de uma forma tão linda que não consigo acreditar que passamos por tanta coisa e conseguimos chegar aqui. Chegamos porque era de verdade, e aprendemos com nossos erros, fortalecendo nosso amor e vida.
    Não foi uma história de príncipe encantado, mas fico feliz de ter encontrado a minha Fera e ele ter virado o príncipe de hoje.

    http://tpminterrompida.com.br/

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