Não repara a bagunça


O fato é que tô uma bagunça. Uma bagunça bem maior do que a do meu quarto, uma bagunça maior do que a que está sobre minha cômoda nesse momento me esperando levantar e arrumar aquele monte de maquiagem espalhada. Tô uma bagunça daquelas grandes, daquelas que não sei nem por onde começo a sentir, muito menos falar. 
   Tô uma bagunça tão grande que não sei se quero ver um filme de drama daqueles bem tristes e desidratar de tanto chorar ou se quero ir para uma festa e dançar até esquecer todos os meus problemas. 
  Mas isso é só por dentro.
   Por fora eu ainda sou a mesma. Eu ainda rio com minhas amigas, e finjo que está tudo na mais perfeita ordem. Eu ainda estou fingindo quando digo que estou bem e no fundo isso é o melhor a se fazer. Eu ainda lavo meu cabelo e hidrato duas vezes por semana. Nos finais de semana você ainda vai me ver de maquiagem, não espere menos que isso. 
   Mas por dentro, ah meu filho, por dentro...
   Por dentro eu tô me questionando sobre toda e qualquer decisão que tomei na vida. Eu tô me perguntando onde eu fui parar. Eu tô me perguntando se tenho alguma amizade verdadeira e me sentindo mal por provavelmente não ter. Por dentro eu talvez ainda tenha meus quatro anos.  Eu ainda sonho em acordar na minha cama, com meus gatos e meus problemas que não eram nada. Eu sonho em fazer tudo diferente, eu sonho em ser diferente. E acredito que um dia vou conseguir, mas enquanto esse dia não chega me resta fingir. E quem sabe fingindo e consequentemente fugindo, eu não me ache? Baita bagunça né? Que nada, já tô acostumada.

A nossa estrela.


Um céu estrelado é uma das coisas mais bonitas que eu já vi em toda a minha vida, me transmite uma paz imensa e me sinto acolhida por aquelas luzinhas brilhantes. Um dia me disseram que algumas estrelas, as mais distantes, já estão mortas, mas que dava para as ver com um microscópio; então lembrei de você.
Foi em uma noite de um sábado de março que fui enxotada de sua vida e seguimos caminhos distintos. Fazem 104 dias que te vejo com outros olhos.
Minha paixão, tão viva e acesa, se apagou há muito tempo e o nós da gente nunca vai ser recuperado.
Mas este final de semana eu te vi, te vi de longe com seu olhar tímido e seu jeito sem jeito típico seu. Neste instante peguei meu microscópio e te admirei, lembrei de nossa estrela, do quanto ela brilhava e do quanto nossos corpos se esquentavam com seu fogo, para mim aquele era o mais lindo espetáculo já visto. A luz viaja cerca de 300.000 quilômetros por segundo, e era como me sentia com você: viajando em uma velocidade fora da capacidade humana, extremamente rápida e no espaço, me sentia fora deste mundo e de toda a realidade brusca que me fazia revirar os olhos e me fazer pensar que era insignificante.
Confesso que vem uma sensação um tanto quanto boa em meu peito quando lembro desse tempo, nossas chamas eram maiores que qualquer coisa, e brilhávamos até de dia, a luz solar era muito pouca coisa para nos apagar.
Mas, acabou.
A nossa estrela morreu.
Só não prometo não pegar meu microscópio,
de vez em quando
para lembrar do brilhos’
e tentar me esquentar
nesses dias frios de junho.




AFINAL O QUE É VIVER?


Enquanto eu caminhava comecei a pensar sobre tudo que passamos enquanto vivemos. Crescemos e procuramos por amor, aceitação, sucesso, paz e reconhecimento. Quando fracassamos em algo, sentimos que fracassamos no sentido da vida... Mas qual seria o sentido da vida? O que pode ser considerado viver?

 Não é porque sentimos dor, que fracassamos. Não é porque perdemos uma batalha, que devemos desistir da guerra... A vida é uma guerra, conhecemos pessoas boas, que às vezes nos deixam, que partem seja lá de qual forma. Lutamos contra nossos medos e adversários, conquistamos, caímos e sangramos. Fazer a vida valer a pena não significa não ser derrotado durante as batalhas, significa lutar constantemente por aquilo que amamos e por quem amamos, significa proteger e vencer em certos conflitos, mesmo quem sejam pequenos, significa tentar ser feliz, mesmo que de vez em quando pensemos que isso é impossível. Viver é chorar, sofrer e depois tentar superar, viver é fracassar e também vencer, viver é lidar com perdas e também com ganhos. A vida traz dores, leva pessoas queridas, mas a vida também traz alegrias, momentos inesquecíveis, chegada de pessoas maravilhosas e alguns ensinamentos. 

Precisamos aprender a deixar partir, quem não quer ficar e quem precisa ir, guarde em teu coração todos que merecem um espaço em teu porto caso um dia voltem a atracar, e quem não merece, mande pra outro lugar. Alguns partem por egoísmo e falta de amor, outros partem porque precisam crescer e viver a vida em outros lugares... Não condene todos que partiram, existem milhares de outros espaços para serem explorados, deixe que eles usufruam de sua liberdade e das maravilhas que o mundo os guarda. Da mesma forma que você não ficará sempre no mesmo lugar, eles precisam saber a sensação de voar. 

E quando você sentir que está difícil continuar, encontre a força que teve um dia para que superasse outras tristezas, lute ferozmente pela tua paz, se apoie no que você foi capaz de sentir um dia e permita que o seu vazio se encha novamente com novas experiências e novos motivos para continuar lutando. A vida é um ciclo e cada dor traz uma lição e depois de cada tempestade podemos ver um arco-íris, nada é por acaso, nenhum sofrimento é eterno e momentos são passageiros, apenas faça com que eles valham a pena. Viver é um enigma, mas o pouco que sabemos já faz com que a vida tenha um pouquinho mais de sentido do que se não soubéssemos de nada.